domingo, 14 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Tortoni e Borges

Em Buenos Aires, o Café Tortoni é uma experiência suprafantástica. As marcas deixadas por seu ilustre frequentador, Borges, estão presentes no salão, ao lado de mesas de madeira escura e decoração colonial.
Tenho me lembrado dos cafés argentinos e de Borges. Devem ser coisas do tempo transcorrido argentinamente. Tempo agora suspenso. Sou eco. Sou passado portenho.

Soy

Soy el que sabe que no es menos vano
que el vano observador que en el espejo
de silencio y cristal sigue el reflejo
o el cuerpo (da lo mismo) del hermano.

Soy, tácitos amigos, el que sabe
que no hay otra venganza que el olvido
ni otro perdón. Un dios ha concedido
al odio humano esta curiosa llave.

Soy el que pese a tan ilustres modos
de errar, no ha descifrado el laberinto
singular y plural, arduo y distinto,

del tiempo, que es de uno y es de todos.
Soy el que es nadie, el que no fue una espada
en la guerra. Soy eco, olvido, nada. (Borges)

sábado, 5 de março de 2011

Blog parado, tese a todo vapor


Pois é, blog parado, tese a todo vapor.
Assim que eu defender, volto a atualizar o blog frequentemente...

Recomendo o documentário sobre o poeta pequenino, Manoel de Barros: "Só dez por cento é mentira", do direto Pedro Cezar, mais um que foi capturado pelo idioleto manoelino...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Blog do Cineclube Universitário


Criamos um blog para divulgarmos o Projeto de Extensão "Cineclube Universitário".
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Esta é uma iniciativa interessante para o campus de Chapecó da UFFS, já que pretendemos exibir longas e curtas autorais e/ou não comerciais.
Todos estão convidados a participar!
As sessões são seguidas de debates.
É isso aí.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Subvida acadêmica

Está difícil escrever para postar no blog, mas em breve vou voltar a postar com maior frequência.
Estou só na subvida acadêmica, numa espiral vertiginosa incontrolável, num looping arrebatador de saber e de não saber, de poder e de não poder:

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Isso que é filosofia

Um velho senhor barbudo, de pele enrugada pela vida de labuta nos campos do Rio Grande do Sul, senta-se diante dos jovens netos, no começo de uma noite que se tornou paradigmática. Quando os garotos olham na direção da cidade, imaginando um mundo cheio de aventuras, descobrimentos, diversão e infinitas possibilidades, o velho percebe nos olhos deles certo descontentamento com a vida na roça. Daí ele se vê nos meninos, se lembra de sua juventude e de sua partida para a cidade, quando tinha aquela tenra idade. Ele se lembra de tudo o que passou durante seu exílio pueril, de suas inúmeras dificuldades e das pessoas boas e ruins que ele havia conhecido. Tudo isso veio como um filme em preto e branco. Mas o velho não era de muita conversa. Não estava acostumado a discursar e a expor suas idéias de maneira complicada. Ele não tinha estudado formalmente, mas a vida o ensinara muitos saberes que até mesmo os mais diplomados não possuem. Então, ele olha para os meninos e profere, grave e calmamente, uma sentença que, de tão enigmática, até me atrapalho para tentar explicá-la. Ouve-se em voz rouca o reflexo de uma sabedoria marcada pela experiência dura de vida, coisa que só adquire quem dá as mãos ao sofrimento e mesmo assim caminha pela existência; era uma elaborada crítica que colocava em xeque nossas vontades de saber e de potência; era, pois, uma espessa análise do orgulho humano e de todas as complicações subjetivas advindas das referidas vontades. A sentença era de um enorme juízo crítico, pois tocava no significado simbólico do ponto nerval que, no limite, nos iguala a todos. Enfim, na maneira de se expressar do velho gaúcho, eis um dos mais profundos aforismos filosóficos de que tenho conhecimento:
“Barbaridade, barbaridade, quem não caga aqui, caga na cidade”.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Chima do encontro, da prosa


Num fim de tarde qualquer, já com os cabelos cobrindo as orelhas, resolvi fazer uma visita a um barbeiro que até então eu desconhecia, mas que mantinha seu ponto há muito tempo em Chapecó, segundo ele mesmo. Lá chegando, fui recebido com muito entusiasmo, o que me deixou à vontade para explicar que ele era a minha tentativa desesperada de dar um belo trato no telhado, pois o corte anterior feito por uma cabeleireira tinha sido um lixo, cheio de caminhos de rato. Sem querer ser machista, gostaria de dizer que, dentro da faixa de preço de corte que procuro, sou a prova viva de que muitas profissionais não sabem cortar bem o cabelo de homens, apesar de colocarem os dizeres “cabeleireira” e “unissex” em seus salões – salvo raras exceções, claro. O contrario dificilmente vai acontecer. Geralmente não vemos um estabelecimento com os dizeres “barbeiro” e “unissex”. E é raro vermos um barbeiro que não saiba cortar direito o cabelo de homem. Bom, me desviei um pouco do assunto. Deixo para outro momento esse manifesto contra certas cabeleireiras.
Durante o corte de cabelo, entrou de repente um antigo amigo do barbeiro. E os dois não pararam mais de conversar. Dentre tantos assuntos, o visitante alertou o amigo de que seu trabalho era agora o de cuidar de um estacionamento. Aí a conversa embalou. Foram tantos esclarecimentos sobre o novo emprego e sobre como ele tinha conseguido se reerguer após a falência de sua pequena empresa, que eu me perdi. Então ele disse para o barbeiro o que mais nos interessa aqui. Diante de tanta vontade de continuar a conversa, mas impossibilitado de fazer isso por causa do horário de trabalho, ele convidou o amigo para passar no estacionamento, na manhã do dia seguinte, para tomar um chimarrão e prosear mais.
Aquilo para mim foi muito interessante. Refleti naquele momento sobre o uso social do chimarrão, sobre como aquela cuia cheia de erva e água quente se parece com o chá, ao menos no quesito evento social de interação. Foi como se um homem estivesse convidando outro para tomar chá, convite que historicamente é visto como mais feminino. Achei bacana. Mineiro que sou, sei que é diferente de quando convidamos alguém para tomar um café em nossa casa. Você não fica durante muito tempo tomando café, a não ser que coma biscoitos, bolos e tal. Não se trata aqui de dizer que o chimarrão é melhor que o café, pois são bebidas e eventos totalmente diferentes. A diferença do chimarrão é o fato de que as pessoas podem passar horas bebendo e proseando, coisa que é mais difícil de acontecer com o café. Além disso, há todo um ritual de utilizar a mesma cuia para todos, de numa roda de amigos obedecer a ordem de passá-la para o companheiro, de não mexer na bomba, de não agradecer quando se recebe a cuia, a não ser que se tenha parado de tomar o chima etc.
Desde que conheci o chima em Florianópolis, não parei mais de tomá-lo. Acho muito bom o sabor, e é melhor ainda o evento de tomar o chima na companhia dos amigos. Aqui em Chapecó continuo fanático pelo café preto, forte, quase sem açúcar, que é um deleite só e continua sendo para mim uma referência de encontro com os amigos queridos. Mas faz um tempo que incluí o chima como uma outra referência desse tipo. O café é intenso, o chima é extenso; o café pede um pão de queijo, o chima uma água bem quente, quiçá um belisquete doce; o café desperta, motiva, o chima também. Café e chima, para que escolher? Bom mesmo são os dois, nessa ordem...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Peter Pan

(Continuação do post anteior)
A comida preparada pelas “bondosas” mãos-fé-razão alimenta, nutre. Parece ter sido feita para isto: manter a pequena criança-homem viva, cheia de energia para descobrir os sentidos do mundo exterior que dela depende para ter sentido. Esse alimento é necessário. Mas de vez em quando a comida que é devorada com prazer por racionalistas ou por homens de fé provoca constipação. É o resto embolado no ventre, apodrecendo por não ter sido expelido pelo intestino-pensamento-mente. De vez em quando, algo na digestão de sentidos não vai bem; às vezes, o alimento causa dor. Por isso a criança urra na madrugada.

Essa criança nunca crescerá. Peter Pan que é, viverá eternamente pueril. Ela nunca aprenderá a preparar o próprio alimento. Vivendo na terra do nunca, ela sempre existirá sob o jugo de fantasias e de fantasmas infantis. Seus pais ficaram no outro mundo, no apartamento em que moravam. A criança foi sozinha para a terra do nunca, quando ainda era muito pequena. Por isso, não conheceu de fato os pais, pois para que isso acontecesse, ela precisaria crescer, e isto era impossível na terra do nunca.

Por que os pais da criança não haviam impedido o menino de ser levado para essa terra enigmática? Em dias de constipação e de dor, a criança se perguntava isso. Por que não o impediram de ser eternamente infantil? Por que não o impediram de ser eternamente dependente dos cuidados das bondosas mãos?

Haveria perdão para uma displicência paterna como essa? Bom, tudo que a criança queria era sair da terra do nunca e voltar para casa, para o seu apartamento. Mas ela queria voltar como criança, para crescer sob os cuidados da mãe e do pai e, assim, conhecê-los gradativamente, como no despertar de um sono. Inclusive, ela queria perguntar aos pais por que eles não o impediram de ir para a terra do nunca (isso porque a criança não sabia que ela havia entrado nessa terra estranha sem que seus pais soubessem; ela não sabia sobre o quanto seus pais a queriam de volta, o quanto eles sofriam por não terem podido fazer nada na noite em que a criança sumiu; eles não viram nem ouviram quando seu filho desapareceu; ela não sabia que eles não tomaram consciência do que havia acontecido).

O fato é que sair da terra do nunca era irremediavelmente impossível. Mas era exatamente esse desejo de sair de lá que motivava a criança a brincar e a tentar encontrar uma maneira de voltar para casa.

Estado perpétuo da santa tolice, esperança que não cessa de se reinventar. Terra de ficção volúvel. Desrealidade em que vivo. Tento encontrar um caminho de voltar para casa.
 
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