sexta-feira, 3 de julho de 2009

Palavras de Êxtase




Cansei de me guardar

Feito os loucos agramaticais

Que depositam no esquecimento

Suas epifanias verbais.


Chega de registrar

Migalhas de palavras,

Cientificistas,

Que só fazem

Dissimular a contemplatividade.


Quero palavras inteiras

destiladas

embriagadas

lubrificadas

amadas...


Quero palavras de êxtase!

Aquelas que me arrebatam,

Sublimes,

E me tomam por completo.

E me elevam a categoria de pré-sujeito,

De pré-coisa

Humanizada

Poetizada.


As palavras de êxtase


Inebriadas


Me degustarão.


Possessivamente.


Num lugar onde reside

As letras informais

Dos meus mais

Que longínquos

Devaneios orais.


As palavras de êxtase


Excessivamente


Me revelarão

Como o mundo é feito

De metáforas;

E todas as coisas,

De coisificações

Que são vozeadas.


Desmedidas

Me mostrarão

Como o exterior é realizado

Por amarrações

Que formam

Nó a nó

O tecido tátil

Da realidade.


As palavras de êxtase


Atrevidas


Lançarão

Sobre mim

Olhares lânguidos

Para me terem.


As palavras de êxtase


Bêbadas


Serei eu

O jogado.


Num jogo

Que só termina

Quando acaba

Toda a literatura

Possível.


(Eric)




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